¡ATENCIÓN! Vou
fazer um resumo de tudo que temos que saber do livro para o (temido)
vestibular, não posso disponibilizar foto do conteúdo, porque isso é meio
errado, mas vou tentar fazer o mais completinho possível. Além disso, vou
sinalizar com colchetes e itálico quando for minha opinião e não informação
“oficial”.
[Demorou, mas
chegou! Sei que saí completamente da data combinada, mas queria dominar melhor
o assunto para poder falar de Drummond e Claro Enigma. Afinal, autor e obra são
bem mais complexos do que parecem.]
Fichinha comentada
Nome: Claro
Enigma [oi? Enigma claro? E isso
existe? Pois é...] o título paradoxal dessa obra de 1951 mostra a profundidade que suas novas poesias terão. Nessa fase
(a terceira), Drummond deixa de lado
a literatura engajada da fase anterior, na qual ele escreveu Sentimento do
Mundo e A Rosa do Povo, e passa a enfatizar questões filosóficas e metafísicas. Basicamente ele muda a
perspectiva do mundo externo para o interno, torna-se introspectivo e resignado.
Autor:
Carlos Drummond de Andrade [que não era parente nem de Mário e nem de
Oswald] autor pertencente à segunda
geração do Modernismo nasceu em 1902 em Itabira, Minas Gerais, aperar de ter saído de lá ainda adolescente,
sua terra natal se tornou objeto constante de suas obras. Conheceu os grandes
nomes da primeira fase Modernista e
teve em Mário de Andrade um modelo, chegando
a homenageá-lo diversas vezes. Além de poeta, exerceu cargos públicos. Morreu em
1987, no Rio de Janeiro.
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| Drummondvilhoso, meu professor disse que ele era mulherengo, amo mesmo assim ♥ |
Editora:
Companhia Das Letras
[como sempre, vale ressaltar que, com
certeza, o livro foi publicado por outras editoras também.]
Análise
A epígrafe do livro
já indica a cisão com suas obras anteriores. No momento em que a Guerra Fria separava o mundo entre
capitalistas e socialistas, Drummond decidiu iniciar seu livro com a frase de
Paul Valéry: os acontecimentos me entediam.
Ou seja, as preocupações de antes não são mais sua fonte de inspiração.
Nessa nova fase,
há menor preocupação em seguir os ideais Modernistas ao pé da letra. O autor
usa de formas fixas, como os
sonetos, e outras ferramentas clássicas
sem problemas. Além disso há bastante intertextualidade
com autores clássicos, por exemplo Camões
e Dante Alighieri, e metalinguagem.
O livro é
dividido em seis partes:
-Entre Lobo e Cão essa é uma referência
à um poema de Sá de Miranda. Lobo e Cão são constelações, ou seja, estar entre
as duas, quer dizer se encontrar na escuridão, mesmo durante o dia. Essa é uma
escuridão existencial, a qual é desenvolvida durante o livro.
-Notícias Amorosas trata [obviamente] do amor. No entanto, para
Drummond o amor era sinônimo de lembranças amargas, por isso deu-lhe ao o
apelido de “amor-amaro” em suas criações. Ele não trata as experiências
amorosas do ponto de vista romântico, mas, sim, de modo pessimista.
-O menino e os homens Drummond é o
menino que nessa parte fala sobre seus mestres, os homens [que são os poetas Modernistas].
-Selo de Minas é dedicada uma parte do
livro ao local de origem do poeta. A visão aqui também não é romântica, mas
crítica quanto à relação do eu-lírico e a terra natal.
-Os lábios cerrados mais um paradoxo [lábios passam a ideia de fala e cerrados de
silêncio], dessa vez para abordar a questão familiar. É uma conciliação que
não ocorre de fato, é apenas imaginada pelo poeta que passa um ar de nostalgia
pelo que poderia acontecer.
-A máquina do mundo são dois poemas [um deles, “A máquina do mundo”, é
considerado por críticos a obra prima de Drummond] que fecham o livro
abordando questões bastante metafísicas.
Alguns poemas que
merecem destaque:
-Dissolução:
poema de abertura no qual há a aceitação da noite, postura resignada e de
desencanto. Além da intertextualidade com Sá de Miranda, há referência à Rosa
do Povo.
-Remissão: o
título é polissêmico [mais de um significado]
e pode sugerir perdão e remeter algo. É um soneto camoniano de visão pessimista
sobre a efemeridade da vida “vida breve, arte longa”.
-A ingaia
ciência: gaia pode significar felicidade e ingaia é um neologismo que
representa a infelicidade. Faz referência ao trabalho de Nietzche “Gaia Ciência”
e trata da infelicidade trazida pelo conhecimento. O conhecimento que é
adquirido a partir da experiência, “madureza”.
-Um boi vê os
homens: os versos livres e longos trazem o ponto de vista que um boi tem ao ver
o ser humano que se diz saber de tudo e se mostra desestruturado. Há uma
analogia ao conto “Conversa de bois” presente em Sagarana de Guimarães Rosa.
-Memória: versos
pentassílabos que encontram identidade ao achar beleza e perenidade nas coisas que
já tiveram fim.
-Amar: não há
referência a nenhuma mulher específica, ou seja, trata-se da experiência
universal e metafísica do amor que ocorre de maneira quase dissertativa, porém
resignada e pessimista.
As três fases de
Drummond:
-Eu > Mundo:
trata de maneira ensimesmada sua visão de mundo “Mundo mundo vasto mundo,/ mais
vasto é o meu coração”.
-Eu < Mundo: com
os acontecimentos mundiais, reconsidera sua posição e conclui que “Não, meu coração
não é maior do que o mundo./ É muito menor”.
-Eu = Mundo: se
reconcilia com ambas as posturas e usa da experiência adquirida para testar
maneiras novas para compor seus textos.


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