¡ATENCIÓN! Vou fazer um
resumo de tudo que temos que saber do livro para o (temido) vestibular, não
posso disponibilizar foto do conteúdo, porque isso é meio errado, mas vou
tentar fazer o mais completinho possível. Além disso, vou sinalizar com
colchetes e itálico quando for minha opinião e não informação “oficial”.
Let’s
go!
Fichinha comentada
Nome: Capitães da Areia [sim, é “da” areia e não “de” areia, lembre-se disso], publicado em
1937. Se encaixa nos romances da Segunda
Geração Modernista (1930-1945) e segue a vertente neorrealista REGIONALISTA, mostrando realidades diferentes das
vividas na capital. Lembrando também que isso foi após a quebra da bolsa de NY [óbvio, né? 1929
->1937], então o capitalismo passava
por um momento frágil, dando espaço para ideias socialistas entrarem na cabeça
de muita gente.
Autor: Jorge Amado (1912-2001, Bahia)
Editora: Companhia
das Letras, pelo menos foi a que eu li, já vi outras edições rodando por aí.
Análise/Resumo/Resenha (chame do que
quiser, só use com moderação)
O
livro é dividido em 3 partes +1.
Esse +1 é o comecinho que conta com uma série de reportagens que, apesar de
fictícias, dão veracidade e parcialidade ao livro. Nessas notícias, tiradas do
“Jornal da Tarde”, conhecemos pela primeira vez os Capitães através de um roubo
à casa de um Comendador. Depois de vários detalhes do ocorrido, publicaram os
comentários de um monte de gente, delegado, o padre (vamos falar dele de novo
depois), a mãe de um dos garotos. Aliás, esses dois últimos são os únicos que
se preocupam com a situação dos garotos
e a carta deles vai no final do jornal (é dito no livro em qual parte do jornal
está publicada cada coisa), sem destaque algum. Já começa aí a dar para ver o descaso para com essas crianças e
começamos a ser induzidos a criar simpatia por eles.
Falando em induzir, esse livro é um grande doutrinador. [Sim, sim, Titio Jorge fez um livro com uma historinha para nos fazer
entender a luta de classes e é claro que ele está do lado do proletariado e
desfavorecidos, por razões que se eu consigo ver, qualquer um consegue].
Com sua orientação marxista, seu
objetivo é introduzir a ideologia
socialista no contexto do cotidiano brasileiro.
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| Da série "só tenho Facebook por causa dos memes" |
E
antes de entrar mais a fundo na narrativa, duas considerações:
-A
escrita é bastante coloquial, não
tem nada de impossível ou rebuscado, notável principalmente na fala das
personagens que tem várias marcas de oralidade, como a mistura das pessoas do
discurso (tu e você). Nem o narrador complica com o vocabulário, exceto uma ou
outra expressão que não é mais usada [mas
é aquele ditado: “vamo fazê o que?!”].
-Narrador
onisciente (palavra chique para
dizer: sabe tudo que acontece) e narra em terceira
pessoa. E o que tem muito mesmo é discurso
indireto livre, quando o narrador faz tipo um raio-x do que a personagem tá
pensando e você fica sabendo de tudo o que ela sente sem ela precisar falar.
Parte 1: Sob a lua, num velho trapiche
abandonado. O trapiche (que é um armazém para guardar produtos que chegam e
saem dos portos) abandonado fica em Salvador e é lá que mais de cem meninos
abandonados encontraram abrigo [não que
seja um abrigo muito bom, porque o trapiche tá todo caindo aos pedaços].
É
nessa parte que somos apresentados aos principais integrantes do grupo
conhecido por Capitães da Areia.
-Pedro Bala: é um menino de 14 anos [se eu não me engano] que se tornou o líder dos Capitães após vencer o
antigo chefe do grupo, nessa briga ele ganhou uma baita cicatriz no rosto. Mais
para frente ele descobre ser filho de um
grevista que foi morto num desses movimentos trabalhistas [foca nisso, é importante e é a motivação da
personagem mais pra frente].
-Professor: aprendeu a ler sozinho roubando livros, ele lê as
notícias e histórias de fantasia para os outros meninos [isso para mim é uma coisa muito importante e triste, pois mostra
crianças abandonadas que conseguem ver magia no lúdico como qualquer outra
criança]. Ele também é desenhista
[vamos falar disso na última parte] e
o conselheiro de todos, vive
ajudando Pedro nas estratégias [tipo o
Grilo Falante do Pinóquio].
-João Grande: [coisa mais fofa do universo] com só 13 anos, ele assusta por seu
tamanho, mas tem um coração muito
generoso, ele costuma proteger os
meninos novatos e faz isso com Dora [calma]
em sua primeira noite no trapiche.
-Sem-Pernas: o mais revoltado pela condição em que vive, pois, além de estar à mercê do
destino, manca de uma das pernas. Tem
um ódio em especial por figuras de autoridade (principalmente
polícia), por causa de um evento que o traumatizou no passado: foi espancado e humilhado em uma delegacia.
Ele costuma se infiltrar em casas de
família como se fosse uma criança perdida, mas na verdade só está lá para
catalogar os objetos de valor e informar aos colegas de bando onde estão essas
coisas.
-Volta-Seca: afilhado de Lampião [sim, o Lampião que arrancava umas cabeças Nordeste a fora], seu
sonho é voltar para o Sertão e fazer
parte do grupo do padrinho.
-Pirulito: mudou seu comportamento
depois de conviver com os ensinamentos do Padre José Pedro [aquele que enviou cartas ao jornal]. Faz de seu objetivo se tornar
um padre.
-Gato: muito bonito e preocupado com a estética, não vê o lugar onde mora como
desculpa para andar esfarrapado, sempre bem
arrumado e com o cabelo impecável. É um grande trapaceiro em jogos de carta e acaba se envolvendo com uma prostituta chamada Dalva que é anos mais velha que ele.
Essa
é a maior parte do livro e ela apresenta todos os conceitos que serão
desenvolvidos. Um exemplo disso é o sincretismo
religioso: das pessoas que ajudam os garotos, uma é o Padre José Pedro [também tem o fato que nem as senhoras “tão
devotas” ou os setores mais altos da Igreja querem contato com os meninos,
revelando certa hipocrisia], e
outra a mãe-de-santo Don’Aninha,
trazendo para os meninos influências do Cristianismo e da Umbanda.
O
contraste entre a Cidade Alta (onde residia a burguesia) e a Cidade Baixa (em que moravam os pobres) é algo frequentemente cobrado nos vestibulares, por se
tratar de uma divisão não só metafórica, como também física entre as classes.
Capítulos
importantes:
IV-As luzes do carrossel: aqui os
meninos conseguem entradas para um carrossel caindo aos pedaços e é
praticamente o único momento no livro inteiro em que eles agem como crianças de verdade, se encantam e se
divertem no brinquedo velho. É aqui que vemos que por mais que eles se
comportem como adultos delinquentes, não escolheram isso, simplesmente não tiveram a oportunidade de viverem
suas infâncias.
V-Docas: esse é um capítulo muito
importante, pois é nele que Pedro conhece
João de Adão, um grevista que conta ao menino que chegou a conhecer o pai
dele, um líder militante conhecido
como Loiro. A partir daí, Bala ganha consciência da luta social e isso dá um
propósito a ele. Esse também é o capítulo no qual ele estupra a negrinha [coisa que quase me fez parar de ler o
livro, mas não desista aqui!].
X-Alastrim: a varíola que alguns acreditavam ser um castigo de Omolu (um orixá) para os ricos, acabou
afetando os pobres que não tinham condições de se prevenirem e acabavam
padecendo de maneira terrível. Quando a varíola abrandou, atribuíram isso a
Omolu que teria achado uma solução de amenizar o sofrimento de seus filhos.
Parte 2: Noite da grande paz, da grande paz
dos olhos teus. Somos apresentados a Dora, uma menina de 13 anos que acabou
de ter seus pais mortos pela varíola
e fugiu com seu irmão Zé Fuinha para que não fossem separados. João Grande e o
Professor encontram os irmãos e os levam para o trapiche. Lá os outros Capitães
querem estuprá-la, mas depois de uma
discussão e da decisão de Pedro Bala, ela
permanece no abrigo ilesa. Professor se apaixona por Dora, mas ela e Pedro
acabam se apaixonando e resolvem virar noivos
[aos treze e dezesseis anos, precoce,
fazer o quê?!]. Dora passa a ser integrante do bando, mais do que isso, se
torna amiga, irmã e mãe dos meninos.
Numa das aventuras do grupo, Pedro e ela acabam presos. Os outros arquitetam uma fuga, no entanto, a felicidade
dura pouco. Dora contrai varíola e
acaba morrendo, mesmo assim, antes disso ela se entrega à Pedro, seu [true love].
Parte 3: Canção da Bahia, canção da
liberdade. A última parte traz o destino dos Capitães. Vou comentar os
futuros mais notáveis.
-Pedro
Bala: seguiu os passos do pai, se juntou à um estudante da universidade e à
João de Adão e começaram a organizar
greves, lutando pelo proletariado.
Remanejou os Capitães de Areia para servirem à essa nova meta: deixaram a
criminalidade para evitarem que fura-greves impedissem os trabalhadores de
alcançarem seus objetivos.
-Professor:
com a ajuda de um homem que indicou seus trabalhos para um conhecido, ele se
tornou um pintor de renome. Em todas
as suas obras retratava meninos de feições tristes e uma garota que era a única
alegria dos quadros [pessoalmente, acho
que o Professor amou Dora mais do que qualquer um lá].
-Sem-Pernas:
em uma fuga de policiais, o garoto não conseguia correr mais rápido e se viu
encurralado. Decidido a não passar pela mesma humilhação de antes, ele se joga
de um morro na Cidade Alta. Seu suicídio já foi cobrado em vestibulares também, vale a pena
procurar entender essa personagem [não
citei a história dele com D. Ester,
mas prometam que iram atrás disso também, ok?].
-Gato:
esse aí continuou malandro, com um
leve upgrade. Passou a tomar conta do dinheiro que Dalva fazia e se mudou com ela para Ilhéus onde ainda não era conhecido pelas trapaças.
-Pirulito:
realizou seu desejo de ser padre e,
assim como José Pedro, devotou seu tempo a conviver com crianças em estado de miséria.
-Volta-Seca:
também realizou sua vontade, encontrou com Lampião
que o acolheu com muita boa vontade. Acabou por se tornar braço direito do
padrinho, virando notícia de jornal por ser um assassino impiedoso e ter matado um número alarmante de policiais.
[A
última frase do livro “Porque
a revolução é uma pátria e uma família” me deixou no chão *palmas*]
Ufa!
Isso ficou bem grande, mas espero ter ajudado! Até a próxima leitura!


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