terça-feira, 2 de agosto de 2016

#AjudinhaAmiga: Capitães da Areia

Postado por Unknown em terça-feira, agosto 02, 2016
            ¡ATENCIÓN! Vou fazer um resumo de tudo que temos que saber do livro para o (temido) vestibular, não posso disponibilizar foto do conteúdo, porque isso é meio errado, mas vou tentar fazer o mais completinho possível. Além disso, vou sinalizar com colchetes e itálico quando for minha opinião e não informação “oficial”.
            Let’s go!
Fichinha comentada
Nome: Capitães da Areia [sim, é “da” areia e não “de” areia, lembre-se disso], publicado em 1937. Se encaixa nos romances da Segunda Geração Modernista (1930-1945) e segue a vertente neorrealista REGIONALISTA, mostrando realidades diferentes das vividas na capital. Lembrando também que isso foi após a quebra da bolsa de NY [óbvio, né? 1929
->1937], então o capitalismo passava por um momento frágil, dando espaço para ideias socialistas entrarem na cabeça de muita gente.
Autor: Jorge Amado (1912-2001, Bahia)
Editora: Companhia das Letras, pelo menos foi a que eu li, já vi outras edições rodando por aí.

Análise/Resumo/Resenha (chame do que quiser, só use com moderação)
            O livro é dividido em 3 partes +1. Esse +1 é o comecinho que conta com uma série de reportagens que, apesar de fictícias, dão veracidade e parcialidade ao livro. Nessas notícias, tiradas do “Jornal da Tarde”, conhecemos pela primeira vez os Capitães através de um roubo à casa de um Comendador. Depois de vários detalhes do ocorrido, publicaram os comentários de um monte de gente, delegado, o padre (vamos falar dele de novo depois), a mãe de um dos garotos. Aliás, esses dois últimos são os únicos que se preocupam com a situação dos garotos e a carta deles vai no final do jornal (é dito no livro em qual parte do jornal está publicada cada coisa), sem destaque algum. Já começa aí a dar para ver o descaso para com essas crianças e começamos a ser induzidos a criar simpatia por eles.

             Falando em induzir, esse livro é um grande doutrinador. [Sim, sim, Titio Jorge fez um livro com uma historinha para nos fazer entender a luta de classes e é claro que ele está do lado do proletariado e desfavorecidos, por razões que se eu consigo ver, qualquer um consegue]. Com sua orientação marxista, seu objetivo é introduzir a ideologia socialista no contexto do cotidiano brasileiro.
Da série "só tenho Facebook por causa dos memes"

            E antes de entrar mais a fundo na narrativa, duas considerações:
            -A escrita é bastante coloquial, não tem nada de impossível ou rebuscado, notável principalmente na fala das personagens que tem várias marcas de oralidade, como a mistura das pessoas do discurso (tu e você). Nem o narrador complica com o vocabulário, exceto uma ou outra expressão que não é mais usada [mas é aquele ditado: “vamo fazê o que?!”].
            -Narrador onisciente (palavra chique para dizer: sabe tudo que acontece) e narra em terceira pessoa. E o que tem muito mesmo é discurso indireto livre, quando o narrador faz tipo um raio-x do que a personagem tá pensando e você fica sabendo de tudo o que ela sente sem ela precisar falar.
            Parte 1: Sob a lua, num velho trapiche abandonado. O trapiche (que é um armazém para guardar produtos que chegam e saem dos portos) abandonado fica em Salvador e é lá que mais de cem meninos abandonados encontraram abrigo [não que seja um abrigo muito bom, porque o trapiche tá todo caindo aos pedaços].
            É nessa parte que somos apresentados aos principais integrantes do grupo conhecido por Capitães da Areia.
            -Pedro Bala: é um menino de 14 anos [se eu não me engano] que se tornou o líder dos Capitães após vencer o antigo chefe do grupo, nessa briga ele ganhou uma baita cicatriz no rosto. Mais para frente ele descobre ser filho de um grevista que foi morto num desses movimentos trabalhistas [foca nisso, é importante e é a motivação da personagem mais pra frente].
            -Professor: aprendeu a ler sozinho roubando livros, ele lê as notícias e histórias de fantasia para os outros meninos [isso para mim é uma coisa muito importante e triste, pois mostra crianças abandonadas que conseguem ver magia no lúdico como qualquer outra criança]. Ele também é desenhista [vamos falar disso na última parte] e o conselheiro de todos, vive ajudando Pedro nas estratégias [tipo o Grilo Falante do Pinóquio].
            -João Grande: [coisa mais fofa do universo] com só 13 anos, ele assusta por seu tamanho, mas tem um coração muito generoso, ele costuma proteger os meninos novatos e faz isso com Dora [calma] em sua primeira noite no trapiche.
            -Sem-Pernas: o mais revoltado pela condição em que vive, pois, além de estar à mercê do destino, manca de uma das pernas. Tem um ódio em especial por figuras de autoridade (principalmente polícia), por causa de um evento que o traumatizou no passado: foi espancado e humilhado em uma delegacia. Ele costuma se infiltrar em casas de família como se fosse uma criança perdida, mas na verdade só está lá para catalogar os objetos de valor e informar aos colegas de bando onde estão essas coisas.
            -Volta-Seca: afilhado de Lampião [sim, o Lampião que arrancava umas cabeças Nordeste a fora], seu sonho é voltar para o Sertão e fazer parte do grupo do padrinho.
            -Pirulito: mudou seu comportamento depois de conviver com os ensinamentos do Padre José Pedro [aquele que enviou cartas ao jornal]. Faz de seu objetivo se tornar um padre.
            -Gato: muito bonito e preocupado com a estética, não vê o lugar onde mora como desculpa para andar esfarrapado, sempre bem arrumado e com o cabelo impecável. É um grande trapaceiro em jogos de carta e acaba se envolvendo com uma prostituta chamada Dalva que é anos mais velha que ele.
            Essa é a maior parte do livro e ela apresenta todos os conceitos que serão desenvolvidos. Um exemplo disso é o sincretismo religioso: das pessoas que ajudam os garotos, uma é o Padre José Pedro [também tem o fato que nem as senhoras “tão devotas” ou os setores mais altos da Igreja querem contato com os meninos, revelando certa hipocrisia], e outra a mãe-de-santo Don’Aninha, trazendo para os meninos influências do Cristianismo e da Umbanda.
            O contraste entre a Cidade Alta (onde residia a burguesia) e a Cidade Baixa (em que moravam os pobres) é algo frequentemente cobrado nos vestibulares, por se tratar de uma divisão não só metafórica, como também física entre as classes.
            Capítulos importantes:
            IV-As luzes do carrossel: aqui os meninos conseguem entradas para um carrossel caindo aos pedaços e é praticamente o único momento no livro inteiro em que eles agem como crianças de verdade, se encantam e se divertem no brinquedo velho. É aqui que vemos que por mais que eles se comportem como adultos delinquentes, não escolheram isso, simplesmente não tiveram a oportunidade de viverem suas infâncias.
            V-Docas: esse é um capítulo muito importante, pois é nele que Pedro conhece João de Adão, um grevista que conta ao menino que chegou a conhecer o pai dele, um líder militante conhecido como Loiro. A partir daí, Bala ganha consciência da luta social e isso dá um propósito a ele. Esse também é o capítulo no qual ele estupra a negrinha [coisa que quase me fez parar de ler o livro, mas não desista aqui!].
            X-Alastrim: a varíola que alguns acreditavam ser um castigo de Omolu (um orixá) para os ricos, acabou afetando os pobres que não tinham condições de se prevenirem e acabavam padecendo de maneira terrível. Quando a varíola abrandou, atribuíram isso a Omolu que teria achado uma solução de amenizar o sofrimento de seus filhos.
            Parte 2: Noite da grande paz, da grande paz dos olhos teus. Somos apresentados a Dora, uma menina de 13 anos que acabou de ter seus pais mortos pela varíola e fugiu com seu irmão Zé Fuinha para que não fossem separados. João Grande e o Professor encontram os irmãos e os levam para o trapiche. Lá os outros Capitães querem estuprá-la, mas depois de uma discussão e da decisão de Pedro Bala, ela permanece no abrigo ilesa. Professor se apaixona por Dora, mas ela e Pedro acabam se apaixonando e resolvem virar noivos [aos treze e dezesseis anos, precoce, fazer o quê?!]. Dora passa a ser integrante do bando, mais do que isso, se torna amiga, irmã e mãe dos meninos. Numa das aventuras do grupo, Pedro e ela acabam presos. Os outros arquitetam uma fuga, no entanto, a felicidade dura pouco. Dora contrai varíola e acaba morrendo, mesmo assim, antes disso ela se entrega à Pedro, seu [true love].
            Parte 3: Canção da Bahia, canção da liberdade. A última parte traz o destino dos Capitães. Vou comentar os futuros mais notáveis.
            -Pedro Bala: seguiu os passos do pai, se juntou à um estudante da universidade e à João de Adão e começaram a organizar greves, lutando pelo proletariado. Remanejou os Capitães de Areia para servirem à essa nova meta: deixaram a criminalidade para evitarem que fura-greves impedissem os trabalhadores de alcançarem seus objetivos.
            -Professor: com a ajuda de um homem que indicou seus trabalhos para um conhecido, ele se tornou um pintor de renome. Em todas as suas obras retratava meninos de feições tristes e uma garota que era a única alegria dos quadros [pessoalmente, acho que o Professor amou Dora mais do que qualquer um lá].
            -Sem-Pernas: em uma fuga de policiais, o garoto não conseguia correr mais rápido e se viu encurralado. Decidido a não passar pela mesma humilhação de antes, ele se joga de um morro na Cidade Alta. Seu suicídio já foi cobrado em vestibulares também, vale a pena procurar entender essa personagem [não citei a história dele com D. Ester, mas prometam que iram atrás disso também, ok?].
            -Gato: esse aí continuou malandro, com um leve upgrade. Passou a tomar conta do dinheiro que Dalva fazia e se mudou com ela para Ilhéus onde ainda não era conhecido pelas trapaças.
            -Pirulito: realizou seu desejo de ser padre e, assim como José Pedro, devotou seu tempo a conviver com crianças em estado de miséria.
            -Volta-Seca: também realizou sua vontade, encontrou com Lampião que o acolheu com muita boa vontade. Acabou por se tornar braço direito do padrinho, virando notícia de jornal por ser um assassino impiedoso e ter matado um número alarmante de policiais.
            [A última frase do livro “Porque a revolução é uma pátria e uma família” me deixou no chão *palmas*]

            Ufa! Isso ficou bem grande, mas espero ter ajudado! Até a próxima leitura!

            

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