Quando
olhei a terra ardendo
Qual
fogueira de São João
Eu
perguntei a Deus do céu, ai
Por
que tamanha judiação
Isso foi só o começo para entra no clima do
livro que iremos falar hoje. O livro da vez é Vidas Secas de Graciliano Ramos.
Fichinha comentada:
Nome: Vidas Secas,
publicado em 1938, logo pertence a segunda geração modernista, assim como
Capitães da Areia.
Autor: Graciliano
Ramos (1892-1953)
Editora: Record ( mas foi o que eu li, acredito que tenha
em outras editoras)
Agora
vamos para a análise!
Vidas
Secas é um romance, o único de Graciliano escrito em terceira pessoa, porém seus
capítulos são como contos por conta da estrutura ser: desenvolvimento, encontro
e desfecho. Então é como se fosse cada capítulo uma narrativa independente
(Algo que realmente se percebe na leitura).
O livro
conta a vida de uma família sertaneja nordestina e sua peregrinação para
encontrar uma forma melhor de viver, para isso aborda temas que mostram a luta
pela sobrevivência (isso já é mostrado no primeiro capítulo: Mudança) e
injustiça. Já dá para ter uma ideia de que esse livro faz uma crítica à
política e à pobreza. Graciliano para mostrar esse espírito crítico faz com que
seu “herói” se oponha e resista às pressões da natureza, nesse caso a seca, e
do meio social.
Achei essa imagina tão fofinha
O tempo narrativo da obra é em
terceira pessoa como havia comentando antes, tendo assim seu narrador
observador, ou seja, que analisa o comportamento dos personagens, porém nesse
livro o narrador é muito mais do observador, ele é multioniciente, pois adota o
ponto de vista de cada personagem que se coloca como foco da narração, além de
mostrar a situação precária do mundo exterior. Sendo assim a narração é feita
em discurso indireto-livre para causar essa confusão de voz do narrador e voz
interna do personagem.
Analisando
a obra como um todo se percebe que há um movimento, o qual seria da escassez
para a segurança, porém formando um ciclo onde o caminhar dos personagens é sem
fim porque o primeiro capítulo é a Mudança e o último a Fuga (coloquei em letra
maiúscula porque de fato são esses os nomes dos capítulos). Mesmo tendo essa
circularidade o tempo é em uma ordem psicológica, pois o tempo cronológico é
indeterminado, porém há presença de flashbacks e uso do tempo verbal futuro do
pretérito (muito usado para representar a esperança dos personagens).
O cenário
do livro não cita uma região específica do Nordeste, mas sabe-se que é no
sertão nordestino (até os próprios personagens parecem não saber de onde vêm e
para onde vão). Essa falta de cenário mostra certa aridez espacial acaba por
ser uma forma de representar um isolamento social, pois a cidade é marcada como
inadaptação dos personagens naquele meio.
A família
do livro é formada por: Fabiano (pai), Sinha Vitória (mãe) e dois filhos (seus
nomes não aparecem no livro) que são identificados por menino mais novo e
menino mais velho. Ao apresentar dessa forma os personagens, o leitor observa
que não são muito caracterizados, há certa limitação das características por
eles serem pessoas limitadas perante a situação que se encontram. Eles compõem
quatro capítulos.
A falta de
características mais humanizada dos personagens deve-se a desumanização feita
pelo autor para mostrar a natureza hostil e a dificuldade dos personagens
estabelecerem relacionamentos afetivos entre si. Para ocorrer isso a linguagem
do livro é seca (“como assim?”), há pouco uso de adjetivos e acaba se apoiando
em substantivos e verbos, além da ausência do discurso direto, comunicação
entre os membros da família, utilizando assim muitos ruídos (muitas vezes de
animais).
Retirantes de Cândido Portinari
(E falando
em animais...) Na família existe outro membro chamado Baleia (não é uma baleia
de verdade, seria muita ironia, se bem que o nome é... Ops!), a cadela, este
sim é humaniza porque pensa e sente como gente, sendo totalmente ao contrário
de seu dono, Fabiano, que se considera como um animal (podendo ser positivo em
alguns aspectos e negativo em outros).
Falando
assim o livro parece ser de uma brutalidade, mas tudo isso é causado de forma
proposital para “sentir” a seca e refletir sobre ela. Mesmo assim há relações
sociais entre a família, pois há uma confiança, um planejamento de mudança de
vida (mesmo que não tão organizado).
Nesse
livro outra relação pessoal que tem é o conflito de classes, onde Fabiano é
explorado e enganado pelo latifundiário para qual trabalha. O abuso do poder
mostrado na relação do Fabiano com o soldado amarelo.
Personagens
que merecem uma atenção:
1)Soldado amarelo: símbolo de repressão, mas que é covarde
quando a situação não lhe convém. (existe um capítulo só dele para falar da
relação dele com o Fabiano) O amarelo pode ser interpretado de várias formas,
como o sol ou pela palidez, cáqui da farda ou até mesmo a covardia.
2)Tomás da bolandeira: (Antes de tudo! Bolandeira é uma
máquina de descaroça algodão.) Simboliza no romance o saber, humildade e
justiça. É um ídolo para Fabiano e sinhá Vitória.
É muita coisa para falar por
isso ficou grande e se pareceu ser chato, saibam que eu gostei é um livro que
vale a leitura! Enfim, espero que tenha sido útil e até a próxima leitura!



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