sexta-feira, 5 de agosto de 2016

#AjudinhaAmiga: Vidas Secas

Postado por Unknown em sexta-feira, agosto 05, 2016
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Isso foi só o começo para entra no clima do livro que iremos falar hoje. O livro da vez é Vidas Secas de Graciliano Ramos.

Fichinha comentada:
Nome: Vidas Secas, publicado em 1938, logo pertence a segunda geração modernista, assim como Capitães da Areia.
Autor: Graciliano Ramos (1892-1953)
Editora: Record ( mas foi o que eu li, acredito que tenha em outras editoras)

            Agora vamos para a análise!

            Vidas Secas é um romance, o único de Graciliano escrito em terceira pessoa, porém seus capítulos são como contos por conta da estrutura ser: desenvolvimento, encontro e desfecho. Então é como se fosse cada capítulo uma narrativa independente (Algo que realmente se percebe na leitura).

            O livro conta a vida de uma família sertaneja nordestina e sua peregrinação para encontrar uma forma melhor de viver, para isso aborda temas que mostram a luta pela sobrevivência (isso já é mostrado no primeiro capítulo: Mudança) e injustiça. Já dá para ter uma ideia de que esse livro faz uma crítica à política e à pobreza. Graciliano para mostrar esse espírito crítico faz com que seu “herói” se oponha e resista às pressões da natureza, nesse caso a seca, e do meio social.


Achei essa imagina tão fofinha


            O tempo narrativo da obra é em terceira pessoa como havia comentando antes, tendo assim seu narrador observador, ou seja, que analisa o comportamento dos personagens, porém nesse livro o narrador é muito mais do observador, ele é multioniciente, pois adota o ponto de vista de cada personagem que se coloca como foco da narração, além de mostrar a situação precária do mundo exterior. Sendo assim a narração é feita em discurso indireto-livre para causar essa confusão de voz do narrador e voz interna do personagem.

            Analisando a obra como um todo se percebe que há um movimento, o qual seria da escassez para a segurança, porém formando um ciclo onde o caminhar dos personagens é sem fim porque o primeiro capítulo é a Mudança e o último a Fuga (coloquei em letra maiúscula porque de fato são esses os nomes dos capítulos). Mesmo tendo essa circularidade o tempo é em uma ordem psicológica, pois o tempo cronológico é indeterminado, porém há presença de flashbacks e uso do tempo verbal futuro do pretérito (muito usado para representar a esperança dos personagens).

            O cenário do livro não cita uma região específica do Nordeste, mas sabe-se que é no sertão nordestino (até os próprios personagens parecem não saber de onde vêm e para onde vão). Essa falta de cenário mostra certa aridez espacial acaba por ser uma forma de representar um isolamento social, pois a cidade é marcada como inadaptação dos personagens naquele meio.

            A família do livro é formada por: Fabiano (pai), Sinha Vitória (mãe) e dois filhos (seus nomes não aparecem no livro) que são identificados por menino mais novo e menino mais velho. Ao apresentar dessa forma os personagens, o leitor observa que não são muito caracterizados, há certa limitação das características por eles serem pessoas limitadas perante a situação que se encontram. Eles compõem quatro capítulos.

            A falta de características mais humanizada dos personagens deve-se a desumanização feita pelo autor para mostrar a natureza hostil e a dificuldade dos personagens estabelecerem relacionamentos afetivos entre si. Para ocorrer isso a linguagem do livro é seca (“como assim?”), há pouco uso de adjetivos e acaba se apoiando em substantivos e verbos, além da ausência do discurso direto, comunicação entre os membros da família, utilizando assim muitos ruídos (muitas vezes de animais).

Retirantes de Cândido Portinari

            (E falando em animais...) Na família existe outro membro chamado Baleia (não é uma baleia de verdade, seria muita ironia, se bem que o nome é... Ops!), a cadela, este sim é humaniza porque pensa e sente como gente, sendo totalmente ao contrário de seu dono, Fabiano, que se considera como um animal (podendo ser positivo em alguns aspectos e negativo em outros).

            Falando assim o livro parece ser de uma brutalidade, mas tudo isso é causado de forma proposital para “sentir” a seca e refletir sobre ela. Mesmo assim há relações sociais entre a família, pois há uma confiança, um planejamento de mudança de vida (mesmo que não tão organizado).

            Nesse livro outra relação pessoal que tem é o conflito de classes, onde Fabiano é explorado e enganado pelo latifundiário para qual trabalha. O abuso do poder mostrado na relação do Fabiano com o soldado amarelo.

                Personagens que merecem uma atenção:
1)Soldado amarelo: símbolo de repressão, mas que é covarde quando a situação não lhe convém. (existe um capítulo só dele para falar da relação dele com o Fabiano) O amarelo pode ser interpretado de várias formas, como o sol ou pela palidez, cáqui da farda ou até mesmo a covardia.

2)Tomás da bolandeira: (Antes de tudo! Bolandeira é uma máquina de descaroça algodão.) Simboliza no romance o saber, humildade e justiça. É um ídolo para Fabiano e sinhá Vitória.

É muita coisa para falar por isso ficou grande e se pareceu ser chato, saibam que eu gostei é um livro que vale a leitura! Enfim, espero que tenha sido útil e até a próxima leitura!

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