sexta-feira, 26 de agosto de 2016

#AjudinhaAmiga: Sagarana

Postado por Unknown em sexta-feira, agosto 26, 2016
“A barata diz que tem
sete saias de filó...
É mentira da barata:
ela  tem é uma só.”
(Cantiga de roda)

            Não é uma brincadeira ter começado o post de hoje assim, porque essa cantiga é uma das epígrafes de um dos contos que estão nesse livro. O livro da vez é... (Que rufem os tambores!) Sagarana!

Fichinha comentada:
Nome: Sagarana, publicado em 1946, livro de estreia do Guimarães Rosa. Composto por 9 histórias (contos, eu diria) que se ligam entre si no cenário, este no caso é o interior de Minas Gerais. Acaba por ter em sua linguagem certa poeticidade nos relatos por ser tão minuciosos e detalhistas, além de misturar o real com o imaginário do leitor. Nesse livro Guimarães é apenas o observador, não tendendo a nenhum lado, mas abordando assuntos que causam reflexões. (Como curiosidade o nome é um neologismo composto por “Saga”, que vem dos romanos, bruxa, mas que também pode-se atribuir o significado lendas escandinavas, enquanto “-rana” vem do tupi significando parecido a.) Obra pertencente a terceira fase do Modernismo, que seria o chamado Pós-Modernismo, onde se destaca na prosa os contos e linhas que demarcam os limites do real e do imaginário. (Acho que nem preciso dizer que foi tipo um resumo das características que têm esse livro, né?)

Autor: João Guimarães Rosa (1908-1967), mineiro que tinha certa paixão por animais, inclusive os bois (estou destacando isso porque terá dois contos onde haverá animais, não humanizados como nas fábulas, mesmo que com falas, sendo um sobre bois.). Entra na faculdade de Medicina, acaba por trabalhar no exército e por insistência de um amigo presta concurso para diplomacia onde é o segundo colocado, sendo que no seu tempo livre estudava línguas (Conclusão, o cara é muito gênio... É, eu sei...), depois de tudo e mais um pouco se inscreve em um concurso literário e é então que sua carreira como autor começa.

Editora: Nova Fronteira (foi a que eu li, mas existem outras editoras que já pulicaram esse livro)

            Como são 9 contos falarei do livro como um todo e um resumo bem breve  de como é cada um, mas não citarei as personagens porque são muitas e ficaria muito extenso, ok?

Adorei essa capa!

            A linguagem utilizada é o que chamam de Rosiana, ou seja, um estilo próprio do Guimarães Rosa, onde utiliza a fala do sertanejo, mas também usa seus próprios recursos poéticos o que acaba por caracterizar o livro como uma prosa poética, além de utilizar palavras antigas. Por isso que dizem que para entender a obra é bom ter certo domínio de formação de palavras, porque ajuda a compreender um pouquinho mais essa formação.

            Sobre as personagens pode-se destacar a sua escolha peculiar, onde há vaqueiros, crianças, idosos, feiticeiros, loucos e bêbados, pois cada um tem seus porquês. As crianças por serem puras e plenas, os loucos e bêbados por terem um estado de consciência alterado, enquanto os idosos são escolhidos por simplesmente terem experiências.


            As epígrafes são bem marcantes nesse livro, pois foram extraídas da tradição mineira, provérbios e cantigas, além de serem síntese dos elementos centrais que o conto aborda, como por exemplo o amor, bem e mal, bois, sertão e assim por diante.

            Os contos narrados em primeira pessoa são: “Minha gente” fala mais sobre o apego da fauna, flora e costumes mineiros do que de uma história propriamente dita, onde aborda casos de amor e articulação política. Outro também em primeira pessoa é “São Marcos” que conta o caso de feitiçaria (aí entra a parte do místico do sertão) que acaba chegando momentaneamente o protagonista o qual acaba por aprender com toda essa situação. O último em primeira pessoa é o “Corpo Fechado”, este conta a história de valentões do sertão que tornam-se imbatíveis, porém com forças sobrenaturais pode acontecer reviravoltas (também retrata o místico).

            Os demais contos são em terceira pessoa, o que torna o narrador um observador. Estão nessa parte os contos: “O burrinho pedrês” e o “Conversas de bois” tem como foco os animais, mas estes não são humanizados, apenas possuem voz para dizer o que pensam como animais mesmo. No conto do burrinho se destaca a ruptura cronológica e um ritmo que acompanha como se fosse o ritmo do andar do burrinho. No outro conto já tem uma alusão ao mito do Ícaro e tem a luta do bem e do mal.

Ilustração do mito do Ícaro

            “Sarapalha” conta em terceira pessoa já evidencia a miséria física e psicológica dos doentes. “A volta do marido pródigo” é sobre as malandragens de um homem que está envolvido no cabo eleitoral e acaba por vender sua esposa e depois tenta recuperá-la de graça. “O duelo e A hora e vez de Augusto Matraga” envolvem perseguições, (Sendo esse último conto cobrado também na Unicamp) o primeiro fala sobre destino, as alegorias da fatalidade, mas o embate em si não ocorre, enquanto o segundo e último é sobre três fases do homem para ir de encontro ao bem, primeiro degenerado, depois pagando penitências e ao final redenção e transformação. Acaba por fechar o tema do primeiro tornando o livro de certa forma meio cíclico. Além disso, se destaca em penetrar nos pensamentos das personagens.


            Enfim, isso foi tudo resumidinho, sei que não parece, mas é que são muitos contos, muitos detalhes e tentei só destacar o principal, mesmo, mas enfim espero que tenham gostado e até a próxima leitura!

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