¡ATENCIÓN! Vou fazer um resumo de tudo que temos
que saber do livro para o (temido) vestibular, não posso disponibilizar foto do
conteúdo, porque isso é meio errado, mas vou tentar fazer o mais completinho
possível. Além disso, vou sinalizar com colchetes e itálico quando for minha
opinião e não informação “oficial”.
Nome: A cidade e as
serras [melhor título, ele resume a história inteira]. Foi o último livro do autor
(publicado, após sua morte, em 1901) e pertence
à terceira fase dele, a da “maturidade
artística”. A obra é realista,
mas não tão feroz quanto nas outras fases, as críticas estão misturadas entre ironias e uma perspectiva mais esperançosa para Portugal que vivia um
momento de decadência[parece que só levar
nosso pau-brasil não foi suficiente, né, amigos?!]. Escrita no período da Segunda Revolução Industrial, é uma
obra que trata da fuga da cidade (fugere urbem) e da modernização desenfreada.
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| Livros de capa dura ♥ |
Autor: Eça de
Queirós (1845-1900).
Foi um português que amava escrever sobre sua terra e exaltar sua natureza, mas
que não viveu quase nadinha lá e morreu em Paris [isso é bem irônico, depois que você conhece a história do livro].
Sua escrita teve três fases: a
primeira é um ensaio, durante essa fase ele escreveu artigos e crônicas para
jornais; na segunda, publicou vários livros conhecidos, entre eles estão O
Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio, foi uma fase de
ficção realista que critica os pilares
da sociedade, respectivamente, o Clero e a família; já a terceira fase se
caracteriza pelo otimismo em relação ao
futuro e críticas maduras.
[Curiosidade: nessa
época, os jovens escritores, sempre desejando novidades, apoiavam a instauração
de uma nova maneira de conceber a
arte e filosofia –o Realismo-,
enquanto isso, os conservadores defendiam a manutenção dos costumes com o Romantismo.
Dessa rivalidade surgiu a Questão
Coimbrã, de um lado Antero de
Quental representava os realistas e do outro, Visconde de Castilho apoiava o Romantismo. Apesar de ter se juntado
ao movimento realista, Eça não tomou parte na Questão Coimbrã.]
Editora: Li online, porque é domínio público
[Antes da análise
quero dizer que muita gente me olha torto por ter adorado o livro, mas podem
confiar que não é tão ruim quanto parece]
Resumo: Podemos
usar o título do livro para guiar a nossa análise, é uma comparação entre a
cidade e as serras, mais do que isso, na verdade. O autor propõe um jogo
dialético, no qual ele inicia com uma tese sobre como a cidade e suas
tecnologias destroem o que há de bom no Homem. Depois, ele dá continuidade com
a apresentação da antítese, o campo e seus benefícios. E, por fim, harmoniza as
duas coisas na síntese, o campo modernizado e sob controle do próprio Homem.
História:
Há um flashback, no qual é apresentado Jacinto que acabara de ser acudido por
D. Miguel (futuro rei de Portugal), depois de levar um tombo. Jacinto vira
miguelista ferrenho (miguelistas eram os apoiadores do absolutismo de D.
Miguel) e quando o rei é destronado, ele segue com a família para Paris. Lá,
ele teve filho e neto, ambos herdaram seu nome. O protagonista desse livro é,
justamente Jacinto III (o neto), nascido e criado na França. Zé Fernandes é
português e vai estudar em Paris, onde conhece Jacinto e os dois se tornam
grandes amigos. Anos depois, Zé reencontra o amigo [e decide contar sua história, biografias não autorizadas da ficção]
ainda vivendo no palacete de sua família, que ficava na avenida Campos Elísios,
nº 202, mas o local estava muito modernizado e com todas as tecnologias
possíveis. Numa festa, os aparatos tecnológicos começam a falhar e darem
defeitos, os quais Zé ironiza bastante, pois ele não concorda com o exagero de
máquinas [esses defeitos também servem
para passar a mensagem de que a tecnologia não é confiável]. Após oito
capítulos na cidade, um imprevisto muda o curso de Jacinto, que já estava se
sentindo entediado com a vida urbana. Ele recebe um telegrama avisando que a
capela onde seus familiares estavam enterrados, na cidade fictícia de Tormes,
havia sido destruída por uma tempestade e que os cadáveres estavam à mostra,
ele teria que ir até lá para tomar providências [olha essa simbologia dos parentes chamando Jacinto de volta para sua
origem].
A caminho de Tormes, as malas de
Jacinto são extraviadas, então ele chega à cidade sem nada, para piorar, a
própria cidade não tinha nada com que ele estava acostumado. Ele possuía uma
visão muito ingênua sobre o que acontecia fora dos centros urbanos, o que é
alvo frequente das ironias de Zé Fernandes. Após conhecer a realidade do campo,
Jacinto promove uma reforma de cunho socialista, aumenta o salário dos
funcionários em busca de uma justiça social. Além disso, leva melhorias ao
campo, como o telefone. Casa-se com Joaninha, prima de Zé, e permanece em
Portugal, conhecido como “Pai dos Pobres” e “D. Sebastião” da pequena Tormes.
Suma
potência X suma ciência = suma felicidade: essa era a fórmula que Jacinto
acreditava ser a da felicidade inicialmente. No entanto, depois de se
familiarizar à vida campestre e notar suas vantagens, descobriu que suma
potência X suma ciência = suma dependência.
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| Esse slide (que achei no Google) resume toda essa baboseira que eu falei... |
Análise:
[campo rainha, cidade nadinha] uma
metáfora presente logo de cara é o nome do protagonista, Jacinto, é uma flor,
logo, seu lugar natural é o campo. Não se pode florir no asfalto, por isso o
lugar de Jacinto é Portugal. Os capítulos da cidade são dedicados a deformar física
e psicologicamente a elite burguesa, assim eles têm traços naturalistas, ao
passo que o autor usa vários zoomorfismos para adjetivar personagens [a adjetivação de Eça de Queirós é muito
peculiar de seu estilo]. Já o campo é visto de uma perspectiva mais
romântica, sempre equilibrado e idealizado.
O socialismo proposto no livro,
diferente de outros (Mayombe e Capitães da Areia), não é alcançado
através da luta armada e sim trazido por uma figura messiânica. É um socialismo
paternalista e assistencialista que consequentemente coloca os trabalhadores
como coadjuvantes à reforma, portanto ameniza, mas mantém as diferenças
sociais.
Narrador: Zé Fernandes é narrador
testemunha, ele presencia toda a história, porém não é o centro dela [só está lá para dar pitacos].



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