terça-feira, 16 de agosto de 2016

#AjudinhaAmiga: A cidade e as serras

Postado por Unknown em terça-feira, agosto 16, 2016
¡ATENCIÓN! Vou fazer um resumo de tudo que temos que saber do livro para o (temido) vestibular, não posso disponibilizar foto do conteúdo, porque isso é meio errado, mas vou tentar fazer o mais completinho possível. Além disso, vou sinalizar com colchetes e itálico quando for minha opinião e não informação “oficial”.

Nome: A cidade e as serras [melhor título, ele resume a história inteira]. Foi o último livro do autor (publicado, após sua morte, em 1901) e pertence à terceira fase dele, a da “maturidade artística”. A obra é realista, mas não tão feroz quanto nas outras fases, as críticas estão misturadas entre ironias e uma perspectiva mais esperançosa para Portugal que vivia um momento de decadência[parece que só levar nosso pau-brasil não foi suficiente, né, amigos?!]. Escrita no período da Segunda Revolução Industrial, é uma obra que trata da fuga da cidade (fugere urbem) e da modernização desenfreada.
Livros de capa dura ♥

Autor: Eça de Queirós (1845-1900). Foi um português que amava escrever sobre sua terra e exaltar sua natureza, mas que não viveu quase nadinha lá e morreu em Paris [isso é bem irônico, depois que você conhece a história do livro]. Sua escrita teve três fases: a primeira é um ensaio, durante essa fase ele escreveu artigos e crônicas para jornais; na segunda, publicou vários livros conhecidos, entre eles estão O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio, foi uma fase de ficção realista que critica os pilares da sociedade, respectivamente, o Clero e a família; já a terceira fase se caracteriza pelo otimismo em relação ao futuro e críticas maduras.

[Curiosidade: nessa época, os jovens escritores, sempre desejando novidades, apoiavam a instauração de uma nova maneira de conceber a arte e filosofia –o Realismo-, enquanto isso, os conservadores defendiam a manutenção dos costumes com o Romantismo. Dessa rivalidade surgiu a Questão Coimbrã, de um lado Antero de Quental representava os realistas e do outro, Visconde de Castilho apoiava o Romantismo. Apesar de ter se juntado ao movimento realista, Eça não tomou parte na Questão Coimbrã.]

Editora: Li online, porque é domínio público

[Antes da análise quero dizer que muita gente me olha torto por ter adorado o livro, mas podem confiar que não é tão ruim quanto parece]

            Resumo: Podemos usar o título do livro para guiar a nossa análise, é uma comparação entre a cidade e as serras, mais do que isso, na verdade. O autor propõe um jogo dialético, no qual ele inicia com uma tese sobre como a cidade e suas tecnologias destroem o que há de bom no Homem. Depois, ele dá continuidade com a apresentação da antítese, o campo e seus benefícios. E, por fim, harmoniza as duas coisas na síntese, o campo modernizado e sob controle do próprio Homem.

            História: Há um flashback, no qual é apresentado Jacinto que acabara de ser acudido por D. Miguel (futuro rei de Portugal), depois de levar um tombo. Jacinto vira miguelista ferrenho (miguelistas eram os apoiadores do absolutismo de D. Miguel) e quando o rei é destronado, ele segue com a família para Paris. Lá, ele teve filho e neto, ambos herdaram seu nome. O protagonista desse livro é, justamente Jacinto III (o neto), nascido e criado na França. Zé Fernandes é português e vai estudar em Paris, onde conhece Jacinto e os dois se tornam grandes amigos. Anos depois, Zé reencontra o amigo [e decide contar sua história, biografias não autorizadas da ficção] ainda vivendo no palacete de sua família, que ficava na avenida Campos Elísios, nº 202, mas o local estava muito modernizado e com todas as tecnologias possíveis. Numa festa, os aparatos tecnológicos começam a falhar e darem defeitos, os quais Zé ironiza bastante, pois ele não concorda com o exagero de máquinas [esses defeitos também servem para passar a mensagem de que a tecnologia não é confiável]. Após oito capítulos na cidade, um imprevisto muda o curso de Jacinto, que já estava se sentindo entediado com a vida urbana. Ele recebe um telegrama avisando que a capela onde seus familiares estavam enterrados, na cidade fictícia de Tormes, havia sido destruída por uma tempestade e que os cadáveres estavam à mostra, ele teria que ir até lá para tomar providências [olha essa simbologia dos parentes chamando Jacinto de volta para sua origem].
            A caminho de Tormes, as malas de Jacinto são extraviadas, então ele chega à cidade sem nada, para piorar, a própria cidade não tinha nada com que ele estava acostumado. Ele possuía uma visão muito ingênua sobre o que acontecia fora dos centros urbanos, o que é alvo frequente das ironias de Zé Fernandes. Após conhecer a realidade do campo, Jacinto promove uma reforma de cunho socialista, aumenta o salário dos funcionários em busca de uma justiça social. Além disso, leva melhorias ao campo, como o telefone. Casa-se com Joaninha, prima de Zé, e permanece em Portugal, conhecido como “Pai dos Pobres” e “D. Sebastião” da pequena Tormes.

            Suma potência X suma ciência = suma felicidade: essa era a fórmula que Jacinto acreditava ser a da felicidade inicialmente. No entanto, depois de se familiarizar à vida campestre e notar suas vantagens, descobriu que suma potência X suma ciência = suma dependência.
Esse slide (que achei no Google) resume toda essa baboseira que eu falei...

            Análise: [campo rainha, cidade nadinha] uma metáfora presente logo de cara é o nome do protagonista, Jacinto, é uma flor, logo, seu lugar natural é o campo. Não se pode florir no asfalto, por isso o lugar de Jacinto é Portugal. Os capítulos da cidade são dedicados a deformar física e psicologicamente a elite burguesa, assim eles têm traços naturalistas, ao passo que o autor usa vários zoomorfismos para adjetivar personagens [a adjetivação de Eça de Queirós é muito peculiar de seu estilo]. Já o campo é visto de uma perspectiva mais romântica, sempre equilibrado e idealizado.
            O socialismo proposto no livro, diferente de outros (Mayombe e Capitães da Areia), não é alcançado através da luta armada e sim trazido por uma figura messiânica. É um socialismo paternalista e assistencialista que consequentemente coloca os trabalhadores como coadjuvantes à reforma, portanto ameniza, mas mantém as diferenças sociais.


            Narrador: Zé Fernandes é narrador testemunha, ele presencia toda a história, porém não é o centro dela [só está lá para dar pitacos].

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