¡ATENCIÓN! Vou fazer um resumo de tudo que temos que saber do livro
para o (temido) vestibular, não posso disponibilizar foto do conteúdo, porque
isso é meio errado, mas vou tentar fazer o mais completinho possível. Além
disso, vou sinalizar com colchetes e itálico quando for minha opinião e não
informação “oficial”.
1-[O Cortiço, também conhecido como: o prédio
em que essa que vos fala reside, porque só por Deus um edifício com tanto
babado, confusão e gritaria, com certeza é obra de Aluísio Azevedo]
2-[Uma curiosidade: Aluísio Azevedo era irmão
de Artur de Azevedo um famoso (?) dramaturgo que também é nome de uma rua aqui
em São Paulo e de um teatro em São João Del Rei, se você conhece mais algum
lugar com o nome dele, fala aí, vivendo e aprendendo! ]
Fichinha Comentada
Nome: O Cortiço é uma obra naturalista e um romance de tese, isso quer dizer que se preocupa em mostrar a
natureza humana e comprovar uma tese na qual o autor acredita . Assim tudo que
ele escreve é totalmente parcial de modo que toda a ação e descrição leva ao
resultado em que ele deseja provar. Para tanto são usadas ferramentas como: zoomorfismo (caracterizar de forma
pejorativa as personagens usando características animais) e a escatologia (falar de coisas MUITO
nojentas). E também é um livro escrito com base em alguns ideais da época e da
escola literária: Determinismo (o
Homem é influenciado pelo meio, raça e período em que vive), Evolucionismo (processo de evolução das
espécies) e o Cientificismo (associação
da Arte e Ciência na explicação de fenômenos). Todas essas características se
devem ao fato de o livro ter sido publicado em 1890 (famoso final do século
XIX) que coincidiu com as mudanças provenientes da Revolução Industrial.
Autor: Aluísio Azevedo (1857-1913) era
abolicionista, jornalista, cronista [e
mais um monte de “istas” que não vem ao caso]. Ele publicou em 1884 Casa de
Pensão que também é uma obra naturalista cujas características principais
também se encontram n’O Cortiço.
Editora: o meu é da
coleção Ler é Aprender do Estadão
Personagens
João
Romão: um português
que herdou de seu ex-patrão uma taverna, uma pedreira e um dinheiro. Com isso e o que ele já economizava desde a juventude [o
cara é obcecado por dinheiro], ele conseguiu comprar um terreno ao lado da
venda e construir um cortiço. Ele
não descansa hora nenhuma, mas também não perde a oportunidade de explorar
alguém. Um exemplo é Bertoleza, os dois são amigados, da parte dele é mais uma
questão de praticidade, já que ela faz marmitas para ele vender, além de ter
dado o pouco dinheirinho que tinha para ele. Resumindo ele é bom em cobrar e
péssimo em pagar.
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| A evolução de João Romão |
Bertoleza:
uma escrava que estava juntando dinheiro para comprar sua alforria. João Romão “casa”-se
com ela, quando na verdade assume o papel de seu dono e começa a pegar seu
dinheiro dizendo que estava o guardando. Quando ela vira um “obstáculo” na vida
de João, ele não hesita em tirá-la da frente e a entrega para seus antigos
donos. Ela acaba se matando de tanto desgosto que o marido causou [ela se mata com uma peixeira, pra quem
quiser saber, e tem a narração de como as entranhas foram caindo pro chão, é
péssimo].
Miranda
(e família): também português, casou-se com Estela por interesse em ascender
socialmente, os dois não se suportam. Ainda assim, mantém relações sexuais
frequentes pela simples necessidade e sensação de estar fazendo algo
proibido/asqueroso [não faz sentido, só
aceitem]. Sua mulher o trai com vários homens, principalmente garotos mais
jovens e todo mundo sabe, inclusive ele, mas o desejo de manter o status é maior. Eles têm uma filha chamada Zulmira que no final do livro tem o casamento com João Romão arranjado [por isso ele trai Bertoleza]. Mesmo que
os dois se antagonizem durante todo o livro, o negócio é favorável para os dois
(Miranda conseguira dinheiro e João Romão
uma posição social mais elevada).
Rita
Baiana:[nem
preciso falar de onde ela é, ou preciso?!] ela é uma das lavadeiras do cortiço, é muito espevitada,
sensual [isso vive sendo citado] e
adora dançar. Tinha um relacionamento enrolado com Firmo, mas acaba se
envolvendo com Jerônimo.
“(...)volúvel como toda mestiça(...)” “(...)ela
era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda;
era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas
brasileiras; era a palmeira virginal
e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar
gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre
feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta
viscosa, a muriçoca doida, que
esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele” [esses
trechos são: um dos adjetivos com que o narrador descreve Rita e a percepção de
Jerônimo sobre ela].
Jerônimo:
mais um português [que isso, gente, tá
bom, né?], Jerônimo é um homem muito honrado
e trabalhador que vem para o Brasil com a mulher e a filha atrás de uma
oportunidade melhor. Acaba se empregando na pedreira de João Romão e a princípio ele traz muito lucro, pois é
um ótimo profissional. Tudo muda quando ele conhece Rita Baiana, se apaixona perdidamente por ela e passa a
viver com descaso [ele vira o estereótipo
do malandro carioca], deixa de
levar o trabalho a sério, abandona a mulher (Piedade que morre de tristeza) e
não liga para a qualidade de vida da filha mais.
Pombinha:
é uma moça de 18 anos que ainda não menstruou
e só está esperando esse acontecimento para poder se casar com João da Costa. [O
melhor é que o cortiço inteiro quer saber se ela já menstruou ou não e eles nem
se preocupam em serem discretos quanto a isso]. Eles se casam, mas ela
descobre que não era a vida que queria,
trai o marido e quando ele descobre, a expulsa. Depois ela acaba se tornando prostituta.
Léonie:
prostituta que se apaixona por Pombinha, tentou forçá-la [e a forçou] em um
momento. Acabam indo morar juntas.
[rufem
os tambores...] O
cortiço: há quem diga que o protagonista
dessa história toda é o próprio cortiço. E faz muito sentido, ele é sempre personificado e quase que tem vida própria, na qual as pessoas que lá
vivem são apenas engrenagens. E a
construção seria também uma alegoria
(representação figurada) do Brasil do século XIX.
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| A moda de fazer filme baseado em livro é velha... |
Análise
Narrador:
3ª pessoa e onisciente (sabe de tudo que acontece). O uso dessa pessoa do
discurso traz a impessoalidade
exigida pelos naturalistas.
A
análise pode ser feita observando duas personagens e ampliando o conceito determinista
para as outras. João Romão e Jerônimo são ambos portugueses, mas porque um foi bem-sucedido
e o outro apenas decaiu na vida? Pelas influências que tiveram, o determinismo
é responsável por explicar isso. Por serem do mesmo local, não foi isso que os
diferencio, mas sim a influência do meio, Jerônimo foi influenciado pela
presença de Rita Baiana e por ela ser brasileira e todo o brasileiro ter a
tendência à promiscuidade, Jerônimo seguiu esse caminho. Todas as personagens
vivem numa mesma época, porém estão sob a ação de fatores distintos que
determinam o destino de cada um deles, ou seja, não é uma questão de
desenvolvimento pessoal, sim de uma tendência preexistente.
A
relação entre Bertoleza e João também é totalmente determinista. Uma escrava é
biologicamente condicionada à submissão, então mesmo quando livre, ela acata
aos pedidos de Romão, pois “necessita” de um dono.
Uma
característica dos romances de tese é a excessiva descrição, então nessa obra
não é de se espantar parágrafos longos sem nenhuma fala, apenas descrevendo
cenários e pessoas. Afinal, seu objetivo principal é analisar um espaço
amostral e não entreter, isso mais é uma consequência.
O
fato de o cenário ser um cortiço serve para generalizar o local, pois eles eram
bem comuns na época e abrigavam trabalhadores e pessoas humildes, muitos de
origem imigrante que tinham que se abrigar nos subúrbios devido à falta de
melhores recursos.



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