terça-feira, 9 de agosto de 2016

#AjudinhaAmiga: O Cortiço

Postado por Unknown em terça-feira, agosto 09, 2016
¡ATENCIÓN! Vou fazer um resumo de tudo que temos que saber do livro para o (temido) vestibular, não posso disponibilizar foto do conteúdo, porque isso é meio errado, mas vou tentar fazer o mais completinho possível. Além disso, vou sinalizar com colchetes e itálico quando for minha opinião e não informação “oficial”.

1-[O Cortiço, também conhecido como: o prédio em que essa que vos fala reside, porque só por Deus um edifício com tanto babado, confusão e gritaria, com certeza é obra de Aluísio Azevedo]
2-[Uma curiosidade: Aluísio Azevedo era irmão de Artur de Azevedo um famoso (?) dramaturgo que também é nome de uma rua aqui em São Paulo e de um teatro em São João Del Rei, se você conhece mais algum lugar com o nome dele, fala aí, vivendo e aprendendo! ]

Fichinha Comentada
Nome: O Cortiço é uma obra naturalista e um romance de tese, isso quer dizer que se preocupa em mostrar a natureza humana e comprovar uma tese na qual o autor acredita . Assim tudo que ele escreve é totalmente parcial de modo que toda a ação e descrição leva ao resultado em que ele deseja provar. Para tanto são usadas ferramentas como: zoomorfismo (caracterizar de forma pejorativa as personagens usando características animais) e a escatologia (falar de coisas MUITO nojentas). E também é um livro escrito com base em alguns ideais da época e da escola literária: Determinismo (o Homem é influenciado pelo meio, raça e período em que vive), Evolucionismo (processo de evolução das espécies) e o Cientificismo (associação da Arte e Ciência na explicação de fenômenos). Todas essas características se devem ao fato de o livro ter sido publicado em 1890 (famoso final do século XIX) que coincidiu com as mudanças provenientes da Revolução Industrial.

Autor: Aluísio Azevedo (1857-1913) era abolicionista, jornalista, cronista [e mais um monte de “istas” que não vem ao caso]. Ele publicou em 1884 Casa de Pensão que também é uma obra naturalista cujas características principais também se encontram n’O Cortiço.

Editora: o meu é da coleção Ler é Aprender do Estadão

Personagens
João Romão: um português que herdou de seu ex-patrão uma taverna, uma pedreira e um dinheiro. Com isso e o que ele já economizava desde a juventude [o cara é obcecado por dinheiro], ele conseguiu comprar um terreno ao lado da venda e construir um cortiço. Ele não descansa hora nenhuma, mas também não perde a oportunidade de explorar alguém. Um exemplo é Bertoleza, os dois são amigados, da parte dele é mais uma questão de praticidade, já que ela faz marmitas para ele vender, além de ter dado o pouco dinheirinho que tinha para ele. Resumindo ele é bom em cobrar e péssimo em pagar.
A evolução de João Romão



Bertoleza: uma escrava que estava juntando dinheiro para comprar sua alforria. João Romão “casa”-se com ela, quando na verdade assume o papel de seu dono e começa a pegar seu dinheiro dizendo que estava o guardando. Quando ela vira um “obstáculo” na vida de João, ele não hesita em tirá-la da frente e a entrega para seus antigos donos. Ela acaba se matando de tanto desgosto que o marido causou [ela se mata com uma peixeira, pra quem quiser saber, e tem a narração de como as entranhas foram caindo pro chão, é péssimo].

Miranda (e família): também português, casou-se com Estela por interesse em ascender socialmente, os dois não se suportam. Ainda assim, mantém relações sexuais frequentes pela simples necessidade e sensação de estar fazendo algo proibido/asqueroso [não faz sentido, só aceitem]. Sua mulher o trai com vários homens, principalmente garotos mais jovens e todo mundo sabe, inclusive ele, mas o desejo de manter o status é maior. Eles têm uma filha chamada Zulmira que no final do livro tem o casamento com João Romão arranjado [por isso ele trai Bertoleza]. Mesmo que os dois se antagonizem durante todo o livro, o negócio é favorável para os dois (Miranda conseguira dinheiro e João Romão uma posição social mais elevada).

Rita Baiana:[nem preciso falar de onde ela é, ou preciso?!] ela é uma das lavadeiras do cortiço, é muito espevitada, sensual [isso vive sendo citado] e adora dançar. Tinha um relacionamento enrolado com Firmo, mas acaba se envolvendo com Jerônimo.

“(...)volúvel como toda mestiça(...)” “(...)ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele”  [esses trechos são: um dos adjetivos com que o narrador descreve Rita e a percepção de Jerônimo sobre ela].

Jerônimo: mais um português [que isso, gente, tá bom, né?], Jerônimo é um homem muito honrado e trabalhador que vem para o Brasil com a mulher e a filha atrás de uma oportunidade melhor. Acaba se empregando na pedreira de João Romão e a princípio ele traz muito lucro, pois é um ótimo profissional. Tudo muda quando ele conhece Rita Baiana, se apaixona perdidamente por ela e passa a viver com descaso [ele vira o estereótipo do malandro carioca], deixa de levar o trabalho a sério, abandona a mulher (Piedade que morre de tristeza) e não liga para a qualidade de vida da filha mais.

Pombinha: é uma moça de 18 anos que ainda não menstruou e só está esperando esse acontecimento para poder se casar com João da Costa. [O melhor é que o cortiço inteiro quer saber se ela já menstruou ou não e eles nem se preocupam em serem discretos quanto a isso]. Eles se casam, mas ela descobre que não era a vida que queria, trai o marido e quando ele descobre, a expulsa. Depois ela acaba se tornando prostituta.

 Léonie: prostituta que se apaixona por Pombinha, tentou forçá-la [e a forçou] em um momento. Acabam indo morar juntas.

[rufem os tambores...] O cortiço: há quem diga que o protagonista dessa história toda é o próprio cortiço. E faz muito sentido, ele é sempre personificado e quase que tem vida própria, na qual as pessoas que lá vivem são apenas engrenagens. E a construção seria também uma alegoria (representação figurada) do Brasil do século XIX.

A moda de fazer filme baseado em livro é velha...

Análise
Narrador: 3ª pessoa e onisciente (sabe de tudo que acontece). O uso dessa pessoa do discurso traz a impessoalidade exigida pelos naturalistas.
A análise pode ser feita observando duas personagens e ampliando o conceito determinista para as outras. João Romão e Jerônimo são ambos portugueses, mas porque um foi bem-sucedido e o outro apenas decaiu na vida? Pelas influências que tiveram, o determinismo é responsável por explicar isso. Por serem do mesmo local, não foi isso que os diferencio, mas sim a influência do meio, Jerônimo foi influenciado pela presença de Rita Baiana e por ela ser brasileira e todo o brasileiro ter a tendência à promiscuidade, Jerônimo seguiu esse caminho. Todas as personagens vivem numa mesma época, porém estão sob a ação de fatores distintos que determinam o destino de cada um deles, ou seja, não é uma questão de desenvolvimento pessoal, sim de uma tendência preexistente.
A relação entre Bertoleza e João também é totalmente determinista. Uma escrava é biologicamente condicionada à submissão, então mesmo quando livre, ela acata aos pedidos de Romão, pois “necessita” de um dono.
Uma característica dos romances de tese é a excessiva descrição, então nessa obra não é de se espantar parágrafos longos sem nenhuma fala, apenas descrevendo cenários e pessoas. Afinal, seu objetivo principal é analisar um espaço amostral e não entreter, isso mais é uma consequência.

O fato de o cenário ser um cortiço serve para generalizar o local, pois eles eram bem comuns na época e abrigavam trabalhadores e pessoas humildes, muitos de origem imigrante que tinham que se abrigar nos subúrbios devido à falta de melhores recursos.

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