sexta-feira, 19 de agosto de 2016

#AjudinhaAmiga: Iracema

Postado por Unknown em sexta-feira, agosto 19, 2016
            Hoje é o dia de falar da virgem dos lábios de mel, a índia mais bonita da tribo Tabajara, então vamos lá...

Fichinha comentada:

Nome: Iracema, publicado em 1865, está inserido no movimento literário Romantismo brasileiro e particularmente tem uma característica de misturar o real com a ficção (alguns personagens existiram e outros foram inventados) o que faz com que o livro tenha um fundo de verdade, mas mesmo assim criando um mito da fundação da identidade brasileira, por criar uma índia tão idealizada. (Mas o fato de ser idealizada é por simplesmente pertencer ao movimento literário Romantismo.)

Autor: José de Alencar (1829-1877), nasceu no Ceará  e isso explica o porquê do livro ser dedicado à sua terra natal. Estudou direito, mas já foi jornalista, crítico, polemista, orador e escritor, chegou até se eleger para deputado.  Sobre ter escrito Iracema diz que no começo não sabia se seria O Guarani, outro livro indianista, ou se seria Iracema.

Editora: FTD (o que eu li, mas existem outras edições de outras editoras)

            Sem mais comentários iniciais, vamos conhecer os personagens principais:

            Iracema: protagonista desse livro, é a virgem dos lábios de mel (Esse é o significado do nome dela em Guarani), a índia guardiã da bebida sagrada de jurema (no meu livro descreve essa bebida como algo que produzia o efeito do haxixe, conclusão uma bebida alucinógena), filha do pajé, Araquém, da tribo tabajara. Faz tudo por amor, inclusive mudar de tribo e desobedecer seu pai por conta de um amor. Mulher que dizem simbolizar a terra brasileira por sua doçura e acolhimento ao estrangeiro amigo. Acaba por mostrar o processo de mudança que os índios tiveram com o contato com os europeus.
Curiosidade: Iracema é um anagrama de América.

            Martim Soares Moreno: dito como guerreiro branco, logo europeu, amigo da tribo pitiguara, aquela que habitava o litoral e que tinha a tribo tabajara como inimiga. Por ser europeu simboliza o colonizador português. Guerreiro e sempre pronto para defender a sua pátria. Acaba se envolvendo com Iracema, porém é um personagem que é marcado pela nostalgia, sempre que se lembra da sua mulher europeia. (Imagina as tretas!)

        Poti: guerreiro pitiguara, como um irmão para Martim. É exemplo de um índio que sofre influências dos colonizadores e se torne cristão.


Caubi: irmão de Iracema, logo pertence a tribo tabajara. Ele mostra a lealdade e dedicação fraterna, pois defende a tribo de todos os perigos.

Irapuã: cacique da tribo dos tabajaras, maldoso e vingativo. Acaba sendo inimigo de Martim por já ter se apaixonado por Iracema. (Altas tretas...)

Moacir: filho de Iracema (“Mas ela não era a virgem dos lábios de mel?” Pois é... ERA!) Simboliza o verdadeiro brasileiro por ser uma mistura dos portugueses com os índios, além de ser considerado o  filho do sofrimento pelo jeito de como foi seu nascimento e tudo que veio após ele.

Gostei muito desse desenho, acho que ilustrou bem a história


Iracema é um livro com narrador onisciente e recebe um subtítulo de “lenda do Ceará”. É o exemplo de idealismo do herói brasileiro, valorizando o passado nacional para justificar o que ocorre no presente (daquela época- independência política de Portugal). A história é basicamente a paixão de Iracema pelo português, Martim, mas esse amor cheio de impossibilidades e de sacrifícios. O livro já começa do final e logo depois volta para começar cronologicamente. Contando assim todo o processo de como se conheceram até depois da morte da Iracema.

O tema importante dessa obra é o amor e o quão forte ele é para superar tudo, porém acaba entrando nessa história o fato da hospedagem, o ciúmes, o saudosismo, além de engrandecer a natureza. O livro é todo em prosa poética, onde se usa para mostrar o nacionalismo que rondava o movimento literário palavras de origem tupi, tendo assim glossário nas edições. (Tem muita coisa nesse glossário, sério!)


Enfim, para não ficar muito extenso é isso o que é básico e relevante falar sobre essa obra. Espero ter sido útil e nos vemos na próxima com mais obras obrigatórias!

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