Isso é tipo um Man Crush Monday, só
que num sábado...
O que dizer sobre Carlos Drummond de Andrade? Claro que já
o conhecia de outras primaveras, mas só fui conhecer sua obra de fato ano passado
quando li na escola a obra Sentimento do
Mundo, uma coletânea de poemas que me fez acreditar em amor à primeira
vista (ou à primeira leitura, sei lá).
Era bem raro eu ler um livro para a
escola (ops), quando lia, era mais raro ainda gostar do tal livro.
Esporadicamente isso acontecia (Édipo Rei,
Dom Casmurro, ...) e aconteceu com Sentimento do Mundo, que dei sorte de
ter decidido ler.
Na verdade, nem foi questão de
sorte, desde pequena gosto muito de poesias, então resolvi dar uma chance e me
apaixonei. Tudo que ele escreve é tão atemporal e tão representativo (sério,
sem palavras, se você não conhece esse homem, faça-se um favor e vá procurar
algo dele para ler). Enfim, acredito que tenha se tornado meu autor brasileiro
predileto (se bem que vivo mudando, nunca se sabe).
Vou deixar aqui um poema dele para
que a preguiça de ir procurar não seja desculpinha:
CONGRESSO
INTERNACIONAL DO MEDO
“Provisoriamente
não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.”
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.”
E porque só falei dele hoje?! Porque
daqui a pouco vou começar a ler Claro
Enigma, que está na lista de livros obrigatórios da FUVEST. Estou muito
ansiosa para começar, apesar de todos dizerem que é uma obra muito difícil de
se ler (o próprio nome já é meio paradoxal). Não sou a melhor intérprete de
textos, sou dessas que sente o que está lendo, mas não passa de uma experiência
pessoal, não me peça para explicar o que um autor quis dizer com o uso de tal palavra
ou tal figura (#nãosei #nãoquerosaber #mentira #querosim #meconta).
Agora me vou, senão não vou começar
a ler nunca e com certeza vou me arrepender.


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