Odeio largar livros pela metade,
parece que sua vida fica incompleta, por isso quase nunca o faço. Foram
raríssimas as vezes que parei de ler um livro e nunca mais retomei a leitura,
aconteceu com Nárnia que achei chato e com Meu Pé de Laranja Lima, que comecei
muito pequena e imatura, mas pretendo voltar a ele assim que possível.
O livro sobre o qual vou falar (mais
ou menos) sobre eu não larguei, mas meus dedinhos coçaram. Por incrível que
pareça, estou lendo Capitães da Areia (ainda, não me julguem) e essa semana
quase parei para sempre, só não fiz isso porque a Fuvest não liga muito se o
livro me deixou enojada ou não.
Se você já leu esse livro sabe que
Jorge Amado dá voz a seus personagens de verdade, então os Capitães falam como
crianças abandonadas falariam naquele contesto. O que me assustou é que não só
a linguagem é crua (com crua quero dizer, “realista até demais”), as atitudes
também.
No capítulo Docas (se não leu e não
quer SPOILERS, pare aqui) Pedro Bala vê uma
menina mais ou menos da sua idade no areal e a estupra. Sei que faz parte da
realidade daquelas crianças naquele contexto, no entanto, não deixei de ficar enojada
com a cena, principalmente com o palavreado e a descrição do desespero da
garota.
Eu ficaria muito bem sem ler aquele
trecho, em muitos outros casos o autor só menciona que os meninos fazem isso, o
que já passa a mensagem do que ele quis dizer, afinal só a menção não tira a
veracidade do fato (do fato fictício, né). Se a intenção dele foi chocar e eu
acho que foi, ele conseguiu. Fiquei bem chocada e dei uma pausa na leitura
naquele dia, foi muito denso para mim.
Realmente não estou a fim de ler
mais capítulos assim, mas são ossos do ofício e essa é uma leitura que eu não
vou abandonar (nem quero, tirando isso estou gostando bastante).


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