Fichinha
Nome: The OA
Criadores: Brit
Marling e Zal Batmanglij
Número de
temporadas: 1 (8 episódios)
Próxima
temporada: confirmada pelo Netflix em fevereiro de 2017
Classificação: 
(fiquei com preguiça de fazer 4,5 estrelinhas, mas fica subentendido isso, ok?)
Estranhamente, a frase com a qual eu definiria a
primeira temporada de The OA é
“Capitu traiu Bentinho?”. Por dois motivos essa pergunta se encaixa nessa
resenha:
1- Ninguém sabe se Capitu traiu Bentinho, afinal, a
narração dele é pouquíssimo confiável. Temos apenas especulações e mil debates
por ai, mas não deixam de ser apenas teorias (Machado de Assis deveria saber se isso aconteceu, mas né...). Em The OA temos um impasse semelhante, uma
temporada que nos deixou cheios de dúvidas e apenas com um bilhão de teorias
(quase todas com a mesma chance de acontecerem ou não).
2- Essa pergunta não faz sentido para essa resenha,
assim como The OA não faz o menor
sentido. Eu definitivamente fiquei mais confusa quando terminei essa série do
que era antes de começá-la.
Ah, eu não sei como resenhar uma série que não
tenho certeza se entendi, mas vamos lá. Começamos tudo com uma moça chamada Prairie (Brit Marling, que também é criadora da série, depois falarei mais
dela) que para no hospital após tentar suicídio se jogando de uma ponte. Os
pais dela ficam sabendo e vão até lá, seria o normal, mas ao entrarem no quarto
todos estranham a pergunta de Prairie
“quem são essas pessoas?”.
O fato é que aquela foi a primeira vez que ela
via o rosto do casal que a criou, isso mesmo, Prairie era cega. Além disso, os pais a estavam encontrando depois
dela ter passado 7 anos desaparecida.
Voltando para casa, ela começa a agir de maneira
estranha, sem querer falar sobre os anos que passaram e pedindo para ser
chamada de OA. O mistério ao redor dela
continua enquanto ela pede para Steve (Patrick Gibson), o valentão da escola,
para reunir um grupo de no mínimo 5 pessoas para fazer parte de algo grandioso
que estava para acontecer.
Assim, OA,
Steve e os outros quatro escolhidos –Buck, um menino trans; French, o filho que cuida da família; Jesse, vive com a irmã porque a mãe se
suicidou; BBA, a professora que
perdeu o irmão– passam a se encontrar periodicamente numa casa abandonada. E é
isso que eu posso revelar sem entregar os segredos de The OA. (A PARTIR DAQUI TALVEZ HAJA SPOILERS)
 |
| Gente, olha que coisa linda, famosa arte isso ai! |
Um detalhe muito importante que é um dos fatores
que tornou essa série fonte de tantas teorias: Prairie afirma que é um anjo. Durante os oito episódios, de mais ou
menos uma hora cada, é ela quem narra toda a história, ou seja, temos uma visão
bem parcial de tudo e dado o trauma que ela sofreu, não podemos dar
credibilidade total para ela, ainda mais com uma história tão surreal quanto a
que ela afirma ter acontecido.
Nesse
aspecto a série trabalha bem, a toda hora colocamos em cheque o que nos está
sendo revelado, mas ainda assim senti um apelo muito grande da Prairie, talvez seja a atuação de Brit que me fez querer acreditar na
história contada.
*Pausa*Falando na Brit, primeiramente, achei incrível sua atuação no período em que a
Prairie está cega e mais ainda em
outro momento que acho que não devo citar. Mas quero ressaltar que ela e Zal Batmanglij, criador e diretor de The OA, não estão trabalhando juntos
pela primeira vez, os dois já tem um currículo com filmes independentes que
também tratam de temas espirituais e cabalísticos. Fiquei curiosa para assistir
alguns (A Outra Terra é o primeiro da
lista).*Play*
E apesar de toda essa dúvida deixada no final da
temporada, acredito que uma das teorias criadas não se concretizará. Tem gente
por ai dizendo que nada que ela contou aconteceu ou que a situação é outra e
tudo se passa na cabeça dela dentro de um hospital ou hospício. Seria uma saída
muito clichê e empobreceria um universo tão rico e trabalhoso para se
construir, além de restringir as possibilidades para o futuro da série.
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| MELHOR CENA, MELHORES PESSOAS, SEM MAIS ♥ |
Para
mim seria muito mais interessante ver essa temática de um universo
multidimensional, porque é um assunto que me chama bastante a atenção mesmo não
tendo certeza se acredito nisso, é pelo menos bem legal de ver quando a
proposta é bem executada. Nesse caso é muito bem feito, todo o visual da série
está de parabéns, as cores e efeitos são 10/10.
A escolha de elenco também me chamou a atenção,
dá para ver que a maioria dos atores são jovens, mas eles são muito bons, a
pouca idade não é sinônimo de inexperiência. Aliás, um caso particular merece
ser citado, Ian Alexander é
asiático-americano e assim como seu personagem, Buck Vu, um garoto transexual. Ele só tem 14 anos e esse é seu
primeiro papel, um arraso... Todo o processo de aceitação interna e externa e
tratado de um jeito delicado e não como uma simples minoria que deve ser
representada para dar audiência.
Eu gostaria de falar muito mais sobre a série,
mas não quero estragar a experiência de ninguém, olha que eu que nem ligo para
spoiler vou evita-los, porque The OA
merece se revelar por conta própria.
Resumindo, gostei bastante de tudo, principalmente
do começo e final (ai, esse último episódio, ainda não superei), o meio pode
ficar um pouco repetitivo. Fora isso, estou me corroendo, porque provavelmente
vamos demorar demais para ter qualquer tipo de resposta para as nossas mil
perguntas.